Expor artigos visuais nas ruas é uma das maneiras que os comitês de campanha encontram para divulgar os candidatos, que almejam serem “vistos” e “lembrados” pelo maior número de pessoas. A prática é permitida por lei, como já informamos. Mas do ponto de vista técnico, esta estratégia de comunicação não deve se transformar em votos no dia 3 de outubro.
“A propaganda colocada no espaço público acaba não surtindo efeito porque é muita informação disposta desorganizadamente e, dessa forma, o eleitor não fixa a atenção em nenhum ponto específico”, afirma a arquiteta Débora Becker. Segundo ela, que é mestre em planejamento urbano regional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), o ser humano precisa de ordem para fixar os olhos e perceber todos os elementos.
Ambiente caótico
“Não tem ordenação de tamanho e espaçamento. Geralmente, os anúncios são exibidos entre eles e em relação aos outros elementos do espaço urbano sem nenhuma preocupação estética pelos partidos. E um ambiente com pouca ou nenhuma ordem tende a ser percebido como caótico e irregular pelos indivíduos, não propício para interpretação e recepção de mensagens”, explica. A docente define que a poluição visual desse período “corresponde a degradação do espaço urbano em função do uso desordenado e aleatório dos anúncios eleitorais”.
Estética urbana e visual
Há também o problema de muitos materiais obstruem passagens públicas, acesso a bancos, lixeiras e vistas de locais bonitos das cidades. Para Débora, um avanço na legislação brasileira seria implementar um plano de regulamentação para a colocação dos artigos. Além disso, como especialista em estética visual, Débora argumenta que a adoção de padronizações de design, como tamanhos, tipos de imagens e fontes utilizados, contribuiria para uma divulgação eleitoral mais efetividade na geração de informação a partir do visual.




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